Bebidas, energéticos e remédios: médicos alertam para misturas perigosas

José Airton de Arruda fez um alerta para os casos de infarto, especialmente em mulheres, nos últimos 10 anos

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Acervo/AT

A morte precoce da empresária Aline Bianca, aos 38 anos, chamou atenção para o aumento de casos de infarto entre pessoas mais jovens. Segundo médicos, entre os fatores de risco para os problemas de coração nessas faixas etárias estão obesidade, tabagismo, sedentarismo, uso de drogas estimulantes e esteroides anabolizantes.Com a proximidade dos festejos do Carnaval oficial, eles também fazem um alerta para misturas perigosas, que podem aumentar os riscos cardiovasculares.Médico cardiologista e especialista em reabilitação cardiovascular, Lucas Frizzera destacou que o consumo de bebidas energéticas tem sido associado a efeitos adversos cardiovasculares, que podem contribuir para o aumento de casos de infarto do miocárdio.“Estudos indicam que essas bebidas podem aumentar a pressão arterial e prolongar o intervalo QT – alteração grave no eletrocardiograma–, o que pode desencadear eventos cardiovasculares adversos, como arritmias e infarto do miocárdio, principalmente em pacientes com predisposição e outros fatores de risco associados”.O cardiologista da Bluzz Saúde, Jeronimo Eduardo Vervloet, classificou como “significativo e preocupante” o aumento de eventos cardíacos em jovens.Além de misturas, como álcool e energético, no Carnaval, ele fez um alerta para o uso indiscriminado de hormônios para fins estéticos. “Em mulheres, o uso destes hormônios, associados a contraceptivos e tabagismo, aumenta significativamente o risco de acidente vascular”.Ele alertou ainda que o uso de drogas indiscriminadamente, tanto lícitas quanto ilícitas, tem provocado aumento de casos de acidentes cardiovasculares em pessoas mais jovens.O diretor da Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista, José Airton de Arruda, ressaltou que a literatura brasileira e do mundo aponta para o crescimento no número de casos de infarto, especialmente em mulheres, nos últimos 10 anos.“O que se tinha antes era que mulheres infartavam após a menopausa. No entanto, hoje há uma tendência de aumento em mulheres antes da menopausa”.Sobre o Carnaval, ele orienta que as pessoas que vão curtir a folia fiquem atentas para os cuidados com a saúde.“Evitem ficar sem dormir, pois isso promove aumento de pressão arterial e da frequência cardíaca. O nosso organismo não ‘desliga’, mantendo o corpo em estado de alerta, o que é ruim para o coração.”Além disso, ele ressalta a importância de manter a hidratação e evitar “misturas” perigosas com o álcool.Sinais de alerta para infartoDor no peito, em especial aquela que piora com a realização de esforços ou com o estresse emocional. Esse é o sinal mais comum de infarto. Falta de ar desproporcional ao esforço realizado também pode ser indicativo que o coração esteja sofrendo isquemia. Suor excessivo.Palpitações.Alterações da marcha e da fala.Tonteiras e dores de cabeça inexplicadas podem ser sinais de alerta.Cuidados durante CarnavalEvitar o consumo exagerado de bebida alcoólica e estimulantes.Beber bastante água para evitar a desidratação, especialmente com o calor.Descansar adequadamente.Proteger do sol e calor intenso.garantir um sono de qualidade para manter a energia e a imunidade.Manter uma dieta equilibrada antes de sair para blocos ou festas.Entenda os riscosÁlcool em excesso Especialistas alertam para o uso abusivo do álcool nesse período festivo. O Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA) caracteriza como consumo abusivo de álcool 4 ou mais doses para mulheres e 5 ou mais doses para homens em uma mesma ocasião.Uma dose de álcool corresponde a uma lata de cerveja, uma taça de vinho ou um shot de destilado.Especialistas destacam que o consumo abusivo pode levar a comportamentos de risco e aumentar a probabilidade de acidentes e envolvimentos em brigas. Além disso, em contração muito alta, pode levar à intoxicação. Mistura de álcool com remédiosVários medicamentos também podem sofrer mudanças quando interagem com o álcool. Os problemas vão desde a perda do efeito de medicações, como ainda levar a problemas como hepatite medicamentosa, aumento do risco de úlcera gástrica e sangramentos, e toxicidade gástrica. Álcool e antidepressivos, ansiolíticos, inibidores de apetite, anticonvulsivantes e antibióticos são algumas das misturas que podem ser perigosas. Álcool com drogas O uso de drogas indiscriminadamente, tanto lícitas quanto ilícitas, tem provocado aumento de casos de acidentes cardiovasculares em jovens, segundo médicos. Tadalafila e álcoolOutra “moda” que pode ser perigosa é o uso de medicações, como a tadalafila, indicada para a disfunção erétil, mas muitas vezes ingerida por jovens como “pré-treino” ou antes da balada.Segundo médicos, não existem evidências robustas que suportem seu uso para melhorar o desempenho físico. Além disso, os efeitos colaterais comuns incluem hipotensão postural (queda brusca da pressão ao se levantar) e tontura, especialmente quando combinado com o consumo de álcool, que pode potencializar esses efeitos devido à vasodilatação.Álcool e energéticosConsumo de bebidas energéticas tem sido associado a efeitos adversos cardiovasculares, segundo médicos. Essas bebidas podem aumentar a pressão arterial, a atividade simpática (responsável pelas alterações no organismo em situações de estresse ou emergência) e prolongar o intervalo QT (alteração grave no eletrocardiograma). Isso podem desencadear eventos cardiovasculares adversos, como arritmias e infarto do miocárdio, principalmente em pacientes com predisposição e outros fatores de risco associados .Fonte: Médicos consultados e pesquisa A Tribuna.

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