Sustentabilidade na pecuária é discutida em MS e resultados vão para COP-30

A Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), Governo do Estado e representantes do setor agropecuário participam da 16ª Dinapec (Dinâmica Agropecuária), um dos principais eventos preparatórios para a COP -30 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas), a ser realizada em novembro, em Belém (PA). O debate em Campo Grande começou hoje e vai até quarta-feira (26), reunindo representantes das 23 unidades da Embrapa no Brasil, com objetivo de discutir e ratificar a sustentabilidade da agropecuária tropical brasileira, buscando levar dados científicos que evidenciem as particularidades e vantagens da produção no país. A abertura foi realizada no Rubens Gil de Camillo, mas a Dinapec vai se desenvolver em área de 30 hectares, na sede da Embrapa Gado de Corte, especialmente preparada para mostrar as transformações e demandas do setor produtivo. Nesta edição, será uma vitrine dos mais recentes avanços em pesquisa, inovação, produtos, tecnologias e serviços voltados para produtores, técnicos e demais profissionais da cadeia produtiva da carne. Esse também é um dos eventos colaborativos para elaboração de documento para ser apresentado na COP-30. Esse relatório trará evidências científicas sobre a sustentabilidade da agropecuária brasileira. Os produtores brasileiros argumentam que a métrica utilizada na Europa não pode ser aplicada diretamente ao Brasil, pois não considera fatores como o clima tropical e a dinâmica do uso do solo. O titular da Semadesc (Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), Jaime Verruck, explicou que o Ministério da Agricultura está fazendo série de ventos pré-COP e, em Mato Grosso do Sul, a discussão é sobre pecuária de corte que, dentro das cadeias produtivas, é a de maior debate. “Quando fala em desmatamento, relaciona com a pecuária brasileira, quando fala em emissão de metano ou falta de sustentabilidade, relaciona com a pecuária brasileira”, disse.  De acordo com o chefe da Embrapa Pantanal, Antônio do Nascimento Ferreira Rosa, diz que o Brasil tem particularidades que precisam ser levadas em conta pelo setor agropecuário europeu. “A fonte primária de energia é sol, aqui nós temos sol em abundância o ano inteiro”. Ele explica que, enquanto na Europa a produção fica limitada a uma safra por ano devido ao inverno rigoroso, no Brasil conseguimos até três safras na mesma área. Outro ponto abordado no evento é o manejo do gado. A pecuária extensiva, predominante no Brasil, não é método europeu, que recorre ao confinamento por conta do inverno mais rigoroso. Com isso, o setor agropecuário brasileiro tem discutido a necessidade de apresentar métricas específicas para avaliar a sustentabilidade da produção tropical.  O presidente da Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul), Marcelo Bertoni, diz que o modelo da Europa acaba afetando mais o ambiente que o brasileiro. “O modelo de engorda de animais é dentro confinamentos fechados. E aí tem, sim, maior volume de gás de efeitos estufa. Nisso, a nossa pecuária é mais sustentável, porque o animal é criado solto, come mais pasto, tem uma complementação de sal mineral”. Jaime Verruck diz que objetivo é chegar na COP-30 com alteração na metodologia de verificação de carbono na pecuária tropical. “Hoje todos os indicadores são de pecuária temperada, que é principalmente de gado confinado”, diz. A ideia é que o relatório seja assinado não apenas por autoridades políticas, como ministros e governadores, mas também por cientistas, técnicos e pesquisadores. O governador do Estado, Eduardo Riedel (PSDB), ressaltou que a produção agropecuária de Mato Grosso do Sul é sustentável, mas ainda enfrenta dificuldades para demonstrar isso ao mundo. “Sempre tentam colocar a produção e o meio ambiente como antagônicos, mas nossa responsabilidade é construir essa narrativa com base em nossa experiência e nos dados científicos”, afirmou. O encontro também tem participação da diretora de Administração da Embrapa nacional, Selma Lucia Lira Beltrão, que explicou o papel da entidade é mostrar o avanço dos sistemas de produção e de tecnologia, cada vez mais sustentáveis. “Estamos trabalhando para  levar à COP-30 e mostrar como o Brasil já está preparado e o que mais precisa fazer para alcançar todos os desafios das mudanças climáticas”, disse. Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais .
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