Rony Susskind, a mente por trás da transação que fez o RELG11 disparar mais de 20%

Prédios. Foto:Pexels
Rony Susskind, a mente por trás da transação que fez o RELG11 disparar mais de 20%

No mercado de fundos imobiliários, um nome tem ganhado força entre investidores institucionais e gestores: Rony Susskind. Embora pouco conhecido do público em geral, sua atuação tem sido notada nos bastidores, especialmente por sua abordagem pragmática para destravar valor em fundos com estruturas pouco eficientes.

A mais recente movimentação de Susskind envolveu o RELG11, cuja valorização de mais de 20% na semana passada está diretamente ligada a uma transação que ele ajudou a estruturar. Nos bastidores, o processo começou há meses, com Rony pressionando pela redução da dívida do fundo, considerada elevada em relação ao patrimônio. Segundo fontes próximas, sua estratégia era clara: primeiro, ajustar a estrutura financeira para torná-la mais saudável, reduzindo o risco e melhorando a percepção do mercado.

Com a dívida sob controle, o próximo passo foi sugerir a venda de ativos específicos do portfólio, permitindo ao fundo aumentar sua liquidez e melhorar a eficiência na alocação de capital. A movimentação gerou resistência dentro da gestão do fundo, mas a valorização das cotas após o anúncio mostra que o mercado aprovou as mudanças.

Um gestor de fundo internacional focado em Real Estate acompanhou o movimento, e, classificou a estratégia como uma verdadeira manobra de turnaround bem executado: “Primeiro, ele atuou na parte direita do balanço, zerando a dívida em um momento de juros altos por conta do fiscal brasileiro caótico. Isso reduziu drasticamente o risco financeiro do fundo. Depois, no segundo momento, ele foi para o lado esquerdo do balanço, reorganizando os ativos e vendendo no melhor preço possível. Esse tipo de abordagem é rara no mercado, porque exige timing e habilidade para lidar com diferentes partes da estrutura ao mesmo tempo.”

Diferente de investidores ativistas que recorrem a disputas públicas, Susskind adota um método mais discreto. Sua abordagem inicial costuma ser construtiva, sugerindo mudanças em governança, estruturação de ativos e alocação de capital. No entanto, quando enfrenta barreiras, não hesita em buscar formas alternativas para pressionar por ajustes. “Se percebe que há desalinhamento com os cotistas, ele não se restringe ao diálogo”, afirma uma fonte próxima ao investidor.

O impacto de sua atuação já foi sentido em alguns dos principais fundos do mercado. Em certos casos, ele conseguiu promover cortes de custos, reestruturação de carteiras e mudanças na gestão, resultando em maior eficiência operacional. Em outros, defendeu a liquidação de ativos considerados problemáticos.

O interesse de grandes investidores institucionais tem crescido à medida que sua estratégia se torna mais evidente. Fundos de pensão, gestoras internacionais e family offices, que antes evitavam determinados veículos, agora enxergam uma oportunidade quando ele entra em um fundo. “A percepção é de que, quando Susskind se envolve, ou o fundo passa por melhorias ou haverá pressão para que isso aconteça”, diz um investidor institucional que já co-investiu com ele.

Essa postura, no entanto, não é recebida de forma unânime. Algumas gestoras enxergam sua atuação como uma interferência indesejada, já que ele desafia estruturas que, até então, operavam sem grande contestação. Um gestor de um fundo impactado por sua atuação desabafou, sob condição de anonimato: “Embora ajustes estratégicos sejam naturais na gestão de fundos, a abordagem de Rony tem gerado incertezas que preocupam o mercado. A justificativa de ‘gerar valor para os cotistas’ muitas vezes resulta em mudanças abruptas na trajetória dos fundos, comprometendo a previsibilidade e a consistência necessárias para uma gestão eficiente. É fundamental que qualquer transformação considere não apenas o curto prazo, mas também a solidez e a sustentabilidade dos investimentos ao longo do tempo.”

E ao que tudo indica, RELG11 não será o único fundo a passar por essa transformação. Segundo fontes próximas ao investidor, Susskind já mapeou pelo menos três outros fundos nos quais pretende atuar com uma abordagem semelhante. As movimentações nos bastidores indicam que, nos próximos meses, outros fundos podem passar por mudanças significativas.

O fundador da Suno, Tiago Reis, elogiou a atuação de Rony, destacando o impacto positivo para os investidores: “Esse tipo de abordagem facilita muito a vida dos investidores e analistas. Hoje, os fundos imobiliários tem sido atacados nas mídias porque há gestores desalinhados que prejudicam os cotistas. A presença do Rony ajuda a acabar com esse tipo de gestão parasitária que tanto prejudica o público investidor.”

Susskind, por ora, mantém o silêncio e evita declarações públicas sobre sua estratégia. Mas seu histórico sugere que sua atuação seguirá moldando a indústria.

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