Ex-candidato a prefeito de Bandeirantes é solto após mudança em depoimento

Na tarde desta quarta-feira (26), o ex-candidato à prefeitura de Bandeirantes, Mauro Augusto Senturião Dutra, conhecido como Maurinho Dutra, deixou o Ptran (Presídio de Trânsito de Campo Grande). Além dele também foi solto Cristiano Dias, que supostamente integrava o grupo liderado por Maurinho.  A soltura foi resultado de um Habeas Corpus aprovado pela 2ª Câmara Criminal, após a mudança de depoimento da vítima de um suposto sequestro. Em entrevista exclusiva ao Campo Grande News , o advogado José Roberto Rodrigues da Rosa, que defende Maurinho, falou sobre o processo e os próximos passos da defesa. Ele destacou a importância da decisão judicial, que representa a liberação de Maurinho depois de quase 11 meses de custódia. “Essa vitória veio após um bom tempo, e o caso estava em andamento desde julho do ano passado”, afirmou. O advogado explicou que, com o encerramento da instrução processual, a defesa de Maurinho se sente confiante. “Tivemos a oitiva de quase todas as testemunhas e estamos aguardando apenas o interrogatório dos acusados, o que deve ocorrer nos próximos dias.” De acordo com José Roberto, uma parte significativa das acusações contra Maurinho tende a ser considerada improcedente. A acusação de extorsão e sequestro, que envolvia uma dívida de R$ 60 mil a R$ 90 mil, parece não ter consistência, segundo a mudança no depoimento da vítima.  Depoimento –  O advogado enfatizou que a mudança do depoimento da vítima é um ponto crucial para a defesa. Durante a instrução, a vítima havia afirmado, em um depoimento dado em janeiro, que não havia sido sequestrada, o que enfraquece a acusação de extorsão mediante sequestro. “A vítima disse que não houve sequestro. Houve apenas uma discussão e agressões recíprocas, mas sem ameaça”, explicou Rodrigues da Rosa. Com base nesse novo cenário, a defesa entrou com o pedido de Habeas Corpus, que foi prontamente acolhido pela Justiça. “A decisão foi uma vitória importante, pois retirou a urgência do caso. Agora, podemos esperar que o processo siga de forma mais tranquila, sem a pressão da prisão”, completou. Entenda –  Mauro Augusto Senturião Dutra e outros membros de seu grupo foram acusados de extorsão e agiotagem, com evidências de que estariam cobrando juros exorbitantes sobre empréstimos. O advogado explicou que, ao contrário do que foi alegado, não houve extorsão. “A extorsão exige que o acusado obtenha uma vantagem indevida. No caso de uma dívida legítima, como a que Maurinho tinha com a vítima, não existe a extorsão”, esclareceu. Ele também ressaltou que a acusação de agiotagem, embora tenha sido confirmada por Maurinho, é considerada um crime de usura, com uma pena mais branda e passível de conversão em pena alternativa, como a prestação de serviços comunitários. “Maurinho admitiu que emprestava dinheiro a juros, mas isso não configura extorsão”, afirmou. Próximos passos – A defesa de Maurinho está confiante de que a acusação será enfraquecida à medida que o processo avança. A próxima audiência está marcada para maio, quando deverá ocorrer o interrogatório dos réus.  Após o interrogatório, o processo entrará na fase de diligências, e as alegações finais serão apresentadas pelas partes envolvidas.José Roberto acredita que, após essa fase, o juiz poderá emitir uma sentença em cerca de 30 dias. “O que esperamos agora é a absolvição plena de Maurinho, pois não vemos evidências suficientes para sustentar as acusações de sequestro e extorsão”, concluiu o advogado. Histórico –  Maurinho Dutra foi preso no ano passado durante uma operação da Garras (Delegacia Especializada em Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros), acusado de liderar um esquema de agiotagem e extorsão. Além dele, outras quatro pessoas foram presas, incluindo indivíduos com antecedentes criminais, como homicídios e porte ilegal de armas. As investigações revelaram que o grupo estava operando há pelo menos dois anos, emprestando dinheiro com juros altíssimos e utilizando de intimidação e violência para cobrar as dívidas.  Durante a operação, a polícia apreendeu cadernos de anotações com nomes de mais de 60 pessoas que deviam ao grupo, além de cheques pré-datados e notas promissórias somando mais de meio milhão de reais. Maurinho também tem um histórico criminal, com passagens por homicídio e porte ilegal de arma de fogo. Antes de sua prisão, ele estava prestes a ser confirmado como candidato à prefeitura de Bandeirantes, o que gerou um contexto político de tensão, já que o caso envolvia rivalidades locais. Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais .
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