Entenda como funciona o Fair Play Financeiro e as consequências de não seguir

Entenda como funciona o Fair Play Financeiro e as consequências de não seguir

O Fair Play Financeiro é um conjunto de regras estabelecidas para garantir a sustentabilidade financeira dos clubes de futebol. O objetivo principal é assegurar que os clubes não gastem mais do que arrecadam, evitando problemas de dívidas e atrasos salariais. Essa prática visa a criação de um ambiente econômico saudável, onde os clubes possam honrar seus compromissos financeiros com funcionários, outros clubes e o Estado.

As ligas europeias são pioneiras na implementação dessas regras, com a UEFA sendo um dos principais órgãos a definir critérios para a participação dos clubes em seus torneios. O Fair Play Financeiro estabelece limites de gastos com salários, encargos e contratações, além de controlar os prejuízos que um clube pode acumular, promovendo assim uma gestão financeira responsável.

Como o Fair Play Financeiro é aplicado nas ligas europeias?

As principais ligas europeias adotaram o Fair Play Financeiro com regras específicas para cada contexto. Na La Liga, por exemplo, há um limite de 70% das receitas orçadas para gastos com salários de atletas e comissão técnica. Além disso, a dívida líquida não pode superar o total de receitas, e o saldo entre contratações e vendas de jogadores deve ser inferior a 100 milhões de euros.

Na Premier League, existe uma limitação de prejuízos acumulados, com um teto de 15 milhões de libras, que pode ser ampliado para 105 milhões de libras mediante aporte dos acionistas. A liga também impôs novas regras para a temporada de 2025/2026, limitando os gastos a 85% das receitas para salários e outros encargos.

A UEFA, por sua vez, implementou o sistema em 2009 e fez ajustes em 2022. As regras atuais exigem que os clubes apresentem declarações de ausência de atrasos em pagamentos em três períodos do ano. Há também um limite de 60 milhões de euros em prejuízos acumulados por três temporadas, com flexibilidade para aumento mediante aporte dos acionistas.

Entenda como funciona o Fair Play Financeiro e as consequências de não seguir
Futebol. Créditos: depositphotos.com / EdZbarzhyvetsky

Quais são as punições para o descumprimento do Fair Play Financeiro?

O descumprimento das regras do Fair Play Financeiro pode resultar em sanções severas. Na Espanha, por exemplo, clubes que não cumprem as normas podem ser impedidos de registrar novos atletas até que suas finanças estejam equilibradas. A UEFA também pode suspender clubes de suas competições, como ocorreu com o Milan em 2018 e a Juventus em 2023.

Essas punições visam garantir que os clubes mantenham suas finanças em ordem, promovendo um ambiente competitivo justo e sustentável. As sanções atuam como um incentivo para que os clubes adotem práticas financeiras responsáveis e evitem acumular dívidas insustentáveis.

Qual é a proposta de Fair Play Financeiro para o Brasil?

No Brasil, as discussões sobre a implementação do Fair Play Financeiro ainda estão em fase inicial. Em 2019, o economista Cesar Grafietti apresentou um plano à CBF, propondo regras que combinem o controle de dívidas com o controle de gastos. A ideia é permitir que clubes com menos dívidas tenham mais liberdade para investir em salários e contratações.

Grafietti sugere que clubes muito endividados devem gastar menos, enquanto aqueles com dívidas menores podem ter mais flexibilidade financeira. A proposta visa criar um equilíbrio entre o controle de dívidas e gastos, permitindo que os clubes brasileiros se tornem financeiramente saudáveis e capazes de investir de forma sustentável.

As discussões entre os clubes brasileiros para a implementação dessas regras estão em andamento, com a expectativa de reuniões mensais na Comissão Nacional de Clubes para avançar o projeto.

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