Sala de “descompressão” facilita emissão de RG para crianças autistas

No Dia Mundial de Conscientização do Autismo, uma sala de atendimento especial para este público foi inaugurada no Posto de Identificação do Shopping Pátio Central, em Campo Grande. Quando forem fazer o documento de identidade, crianças autistas agora passam por “descompressão”, que facilita o serviço. A sala, com porta fechada, tem isolamento de ruído e brinquedoteca. Isso permite que a criança autista se acalme. “Ela tem sensibilidade sensorial, entra em ebulição e a gente traz para a sala especial para descomprimir e fazer o atendimento, com respeito e preservando a privacidade da família, porque muitas vezes a criança chora muito e a família fica desconcertada tendo que segurar”, explica a perita papiloscopista Maira Gasques Chaves Cappi. Crianças com autismo têm hipersensibilidade e o posto de identificação, que fica dentro de um shopping, está repleto de estímulos. “Temos que tocar na mão para fazer a coleta da digital, tirar foto com flash, tem o cheiro da praça de alimentação, barulho, cerca de 40 pessoas aguardando no posto e 14 atendentes digitando”, descreve Maira. A iniciativa de criar esta sala especial foi da perita papiloscopista Maira Cappi, que trabalha há 5 anos no local. A servidora começou a se interessar pelo tema vendo as dificuldades no atendimento e a partir de um curso ministrado pelo Corpo de Bombeiros em 2022. “Percebi que nossas práticas estavam inadequadas, então desenvolvi um projeto e hoje foi feita a inauguração”, afirma. A sala foi projetada por uma arquiteta especialista em neuroarquitetura, que trabalhou com elementos e cores que lembram a natureza, com objetivo de acalmar essas crianças. Outros materiais foram comprados pelos próprios funcionários e pelo Sinpap (Sindicato dos Peritos Papiloscopistas e Peritos Oficiais de MS), como doação. A inauguração oficial aconteceu na manhã desta quarta-feira (2), mas a sala já funciona desde novembro. Todos os atendentes do posto de identificação têm qualificação para o atendimento especial. Além dos autistas, outras crianças neurodivergentes ou não, podem ir à sala se tiverem dificuldades com o serviço tradicional. Para a perita Maira Cappi, além da humanização, a iniciativa também traz mais eficiência para do serviço público. “Às vezes acontecia até de ter que cancelar o atendimento e converter em um atendimento domiciliar. Só que demanda uma viatura, tempo e equipe, é um processo que demora e custa mais. Aqui, a gente consegue realizar com mais quantidade e reverter menos domiciliares”. Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais .
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