Sem restaurantes no parque, opção é cozinhar em casa ou gastar até R$ 600 ao mês

O Parque dos Poderes, repleto de áreas verdes e com infraestrutura voltada para repartições públicas, tem como um dos problemas a falta de restaurantes próximos aos locais de trabalho. Em cada curva do parque, o que se encontra são prédios da administração pública, mas restaurantes, pode-se dizer que é impossível.  Com isso, os servidores precisam buscar alternativas variadas para garantir o almoço durante o expediente, com gastos que podem chegar a R$ 600. Enquanto alguns levam comida de casa todos os dias, há locais que abriram seus próprios restaurantes. Órgãos como a TV Educativa e o Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul, por exemplo, abrem as portas para servidores de outras repartições. No Tribunal de Contas, o quilo do almoço sai por R$ 56,37, o marmitex n° 8 custa R$ 32 e o prato executivo R$ 38,80. Outra alternativa é almoçar na AABB (Associação Atlética Banco do Brasil), na Associação Médica, na Churrascada ou no Zitão, que nem sempre têm preços acessíveis e que acabam saindo do quadrilátero.  A Subtenente do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul, Patrícia Sabioni, de 48 anos, almoça no Tribunal de Contas todos os dias. Por mês, o gasto é de R$ 600. “Almoço aqui no Tribunal de Contas atualmente. Acho um preço justo, com uma qualidade boa na comida. Almoço todos os dias e gasto trinta reais por dia, para mim fica tranquilo”, disse rapidamente. O assessor jurídico do Tribunal de Contas, Plínio Tude, de 43 anos, comemora a facilidade em ter um local para comer.  “Tem essa facilidade, venho buscar o almoço ou almoço no refeitório. É mais rápido, mais prático. A gente tem a sorte de ter um restaurante com preço acessível, tanto é que acaba atendendo outros órgãos”, disse. No caso do servidor público Kleber Santos, de 40 anos, ele desembolsa entre R$ 300 e R$ 400 por mês com marmitas, considerando que precisa almoçar de segunda a sexta-feira. Ele trabalha na Sejusp (Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública) há 15 anos. “Como varia, gasto de dezesseis a vinte reais, mais ou menos. Todo dia, de segunda a sexta, peço pelo aplicativo”, disse. Diante dessa realidade, ele confessa que sente falta de opções mais acessíveis. “Poderia ter um restaurante para os servidores dentro do parque. Sempre foi assim [sem restaurantes]. Algumas secretarias serviam almoço, mas, no momento, a única alternativa que tenho é pedir pelo aplicativo”, pontuou. Rosilene Santos, de 53 anos, trabalha na SED (Secretaria Estadual de Educação) há 25 anos. Para garantir o almoço, ela prepara a refeição em casa todos os dias. “Trago comida de casa. Tenho que cozinhar diariamente, porque não há outra alternativa. Não há restaurantes acessíveis. Então, ou você sai para almoçar fora, ou pede delivery, ou traz de casa”, relatou. Ela não tem um cálculo exato do impacto financeiro, mas garante que cozinhar em casa sai mais barato do que comer em restaurantes. “Não faço as contas, mas acredito que ajuda um pouco. Sai mais barato do que almoçar em restaurante todos os dias”, completou. O maior impacto, segundo ela, está na rotina. “Tem que acordar mais cedo, deixar a comida pré-preparada ou então pronta na noite anterior”, pontuou. Ainda segundo Rosilene, duas vezes por semana, ela se dá ao luxo de comprar marmita, gastando entre R$ 100 e R$ 200 por mês. “Para mim, marmita só nos imprevistos. Acontece poucas vezes, duas vezes por semana, mas tem gente aqui que pede todos os dias. Dentro do parque, deveria haver mais opções. Até existem restaurantes em bairros próximos, mas os preços não são acessíveis”, afirmou. Para Adriana Antônio Vilela, de 51 anos, a alternativa mais viável é preparar a comida no dia anterior e levar marmita. Ela trabalha há mais de nove anos no setor de limpeza da Secretaria Estadual de Segurança. “Sai mais barato do que comer fora, porque os restaurantes que existiam aqui no parque eram caros. O que tem agora é aquele caríssimo, que dizem ser do Michel Teló. Esse aí, nem em sonho”, disse, aos risos. Ainda segundo ela, quando não leva marmita, a alternativa é comprar salgado na cantina, que custa R$ 6. “Quando não trago, a única opção é comprar um salgado na cantina”, disse. Matheus Pastorelo, de 32 anos, trabalha há 4 anos na SED, no setor de orçamentos. Na hora do almoço, ele opta por ir para a casa.  “Eu vou para a casa almoçar, porque moro relativamente perto, no Tiradentes. Mas, quando não consigo, a única alternativa é pedir almoço. As opções de restaurante aqui são bem escassas. O mais próximo que conheço é a Churrascada, que nem é um restaurante, é um lugar mais caro”, destacou. Quando precisa gastar com marmita, ele desembolsa cerca de R$ 20 por refeição. Mais caro –  Independentemente da alternativa escolhida, o custo da alimentação aumentou significativamente nos últimos meses. No ano passado, por exemplo, Campo Grande registrou a maior inflação de alimentos do Brasil, com alta de 11,3%. Em fevereiro deste ano, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) de Campo Grande foi de 1,62%. Nos últimos 12 meses, o índice ficou acumulado em 5,43%. No grupo “alimentação e bebidas”, o aumento foi de 0,96%. Já a alimentação no domicílio subiu 0,98% em fevereiro. Além disso, a cesta básica vendida em Campo Grande está entre as mais caras do Brasil, segundo o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos). A Capital tem o quarto maior custo de cesta básica entre as 17 capitais brasileiras, com valor de R$ 773,95 em fevereiro. Comparado a janeiro, houve aumento de 1,27%. Em 12 meses, a alta acumulada foi de 3,44%. O aumento do preço da cesta básica foi impulsionado, principalmente, pelo valor da batata. Já o quilo do tomate manteve a tendência de alta registrada em janeiro, subindo 11,47%.  Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais .
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