Saiba quem era o homem que morreu ao contrair leptospirose após alagamento em Manaus


Segundo a Seduc, Amaral trabalhou na escola Estadual Antogildo Pascoal Viana e atualmente estava lotado na escola Estadual Ana Lúcia, no bairro Colônia Terra nova. Amaral Eufrásio de Oliveira Neto, vítima de leptospirose em Manaus
Arquivo pessoal
Amaral Eufrásio de Oliveira Neto, primeira vítima de leptospirose em Manaus neste ano, era servidor público da Secretaria de Educação do Amazonas (Seduc-AM). Ele morreu na última segunda-feira (31) em decorrência da doença.
De acordo com a Seduc-AM, Amaral trabalhou na Escola Estadual Antogildo Pascoal Viana e, mais recentemente, estava lotado na Escola Estadual Ana Lúcia, no bairro Colônia Terra Nova, onde também morava. Ele teria sido contaminado pela doença após um alagamento que atingiu sua casa e o quintal no dia 19 de março deste ano.
O pai da vítima, Francisco das Chagas Oliveira, disse à Rede Amazônica que suspeita que o filho tenha contraído a leptospirose após a enchente. Vídeos registrados na data mostram Amaral dentro da água, tentando salvar galinhas que estavam no quintal alagado.
Francisco lembra que, inicialmente, Amaral acreditava estar com uma virose e procurou atendimento em um hospital particular, no dia 28 de março.
“Dessa virose, ele foi para esse hospital, que é particular. Chegando lá, contou todas as dores para o médico, mas o médico apenas receitou dipirona e não fez nenhum exame, como uma tomografia”, afirmou.
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Após o atendimento inicial, Amaral voltou para casa, mas o estado de saúde piorou. A família acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que o levou para o Hospital e Pronto-Socorro Dr. Aristóteles Platão Bezerra de Araújo. Lá, exames apontaram leptospirose, com danos ao pulmão e fígado.
“Viram que o pulmão dele estava com hemorragia. O homem ficou verde e amarelo, duas vezes”, relatou Francisco.
Ele também contou que um médico do Hospital Platão Araújo afirmou que Amaral poderia ter sobrevivido se tivesse recebido o tratamento adequado mais cedo.
“O médico disse que, se tivesse chegado mais rápido, ele teria escapado, porque essa doença tem um remédio certo. Se não der o remédio certo, não combate a doença”, concluiu.
O corpo de Amaral foi sepultado na tarde desta quarta-feira (2) no Cemitério Parque Manaus, localizado na Avenida do Turismo.
O que disse o hospital particular?
O g1 entrou em contato com o hospital particular que prestou o primeiro atendimento a Amaral Eufrásio sobre a denúncia de negligência médica feita pela família.
Em nota, a unidade de saúde lamentou o ocorrido e manifestou solidariedade à família. O hospital informou que realizou uma apuração interna do caso e afirmou que o paciente recebeu atendimento adequado, conforme as diretrizes médicas e sua condição clínica no momento.
A instituição destacou ainda que a equipe médica segue atenta a doenças infecciosas, incluindo as relacionadas a enchentes, e reforçou o compromisso com a saúde e o bem-estar dos pacientes. O hospital se colocou à disposição da família para esclarecimentos e suporte.
A doença
A Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM) informou que monitora continuamente os casos de leptospirose no Amazonas. Até o momento, 15 casos foram confirmados em 2025, com uma morte registrada pela doença.
A leptospirose é mais comum durante o período de chuvas e enchentes. Os sintomas costumam surgir entre 5 e 14 dias após o contato com a urina do rato ou com água contaminada.
A FVS-AM orienta que se houver suspeita da doença, a pessoa deve procurar uma unidade de saúde. O diagnóstico precoce ajuda a evitar complicações.
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