Globo adverte TV de Sarney após denúncia da prefeitura de São Luís sobre quadro de jornal

Tayse Feques no estúdio do JM1 da TV Mirante ao lado da tela com o logo do quadro Chame a Mirante

A TV Mirante, afiliada da Globo no Maranhão, recebeu uma advertência da direção de jornalismo da emissora no Rio de Janeiro na quarta-feira (2). O motivo foi uma queixa formal apresentada pela prefeitura de São Luís na terça (1), que acusou a emissora de agir com má-fé no quadro Chame a Mirante, exibido no telejornal local JM1 –equivalente ao SP1.

O que você precisa saber

  • Globo repreendeu a TV Mirante após denúncia formal da prefeitura;
  • São Luís acusou a emissora de agir com má-fé em quadro jornalístico;
  • Prefeitura disse que não recebeu tempo hábil para se manifestar;
  • Reclamação ocorreu na terça (1) e resposta da Globo veio no dia seguinte;
  • Quadro em questão foi exibido no JM1, noticioso equivalente ao SP1;
  • Prefeitura afirma que nota enviada não foi lida na reportagem;
  • Globo reconheceu erro e pediu correção imediata à afiliada;
  • TV Mirante pertence à família de José Sarney, rival político do prefeito Eduardo Braide.

No quadro, moradores apontam problemas em seus bairros, como buracos ou vazamentos, e pedem soluções. Porém, segundo a prefeitura, a emissora passou a convocar representantes do poder público com pouco tempo antes da exibição, inviabilizando respostas adequadas. Em um dos casos, a TV Mirante teria feito a solicitação às 8h para um programa que foi ao ar às 12h.

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Conforme a coluna Outro Canal, da Folha de S.Paulo, a prefeitura afirmou que havia negociado um novo prazo com a TV Mirante para responder às solicitações. Mesmo assim, relatou que a afiliada descumpriu o acordo na terça-feira (1), ao gravar uma reportagem no dia 24 de março e só procurar a gestão municipal no próprio dia da exibição, com quatro horas de antecedência.

Além disso, a administração municipal informou que a nota enviada à emissora com explicações sobre o tema abordado no quadro não foi lida no ar. “A prefeitura ressalta que, se o objetivo do quadro é discutir os problemas da cidade, o município enviará representantes nas vezes em que for informado com a devida antecedência”, declarou o órgão em comunicado.

Após ser informada da queixa pela prefeitura de São Luís, a direção de jornalismo da Globo considerou que houve erro no procedimento da afiliada. Os diretores entraram em contato com a TV Mirante e determinaram a correção da prática, alertando a emissora sobre a necessidade de garantir direito de resposta nos telejornais.

A TV Mirante pertence à família do ex-presidente José Sarney, adversária política de Eduardo Braide (PSD), atual prefeito de São Luís. Braide é apontado como possível candidato ao governo do Maranhão em 2026. A coluna Outro Canal, da Folha de S.Paulo, procurou a emissora desde quarta-feira (2), mas não obteve resposta.

Globo enfrenta problemas com uso político de afiliadas

A Globo decidiu encerrar o contrato com a TV Fronteira, afiliada com sede em Presidente Prudente (SP), após mais de 30 anos de parceria. A emissora é controlada por Paulo Lima, que concorreu à prefeitura da cidade em 2024 e usou a programação local para promover sua candidatura, em desacordo com as normas da Globo. Além disso, ele publicou declarações consideradas ofensivas à comunidade LGBTQIA+, o que agravou a situação com a matriz.

Com isso, a direção da Globo optou por não renovar a afiliação, alegando quebra de conduta editorial e ética. A emissora já anunciou que a TV Tem assumirá a transmissão da programação da Globo na região de Presidente Prudente e Araçatuba a partir de 31 de agosto de 2025. A substituta já atua como afiliada da Globo em outras regiões do interior paulista.

Emissora ainda tenta se livrar da TV Gazeta de Alagoas

Outro problema da Globo com afiliadas ocorreu em Alagoas, com a TV Gazeta. A emissora pertence ao ex-presidente Fernando Collor de Mello, condenado pelo Supremo Tribunal Federal por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Por causa disso, a Globo decidiu romper a afiliação após considerar que a emissora foi usada em esquemas que comprometem os padrões exigidos pela rede nacional.

A TV Gazeta recorreu à Justiça para tentar manter o contrato, obtendo liminar favorável em primeira instância. No entanto, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu, em 24 de março de 2025, que elas deverão permanecer parceiras por mais 60 dias. O ministro Ricardo Villas Bôas determinou que a TV Gazeta seguirá transmitindo a Globo até que o processo seja totalmente remetido ao seu gabinete.

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