Lázaro Ramos revela estratégia para driblar preconceito: ‘Libertação’

O ator, diretor e escritor Lázaro Ramos abriu o coração no novo livro, “Nossa Pele”, e falou de assuntos que em sua primeira obra – “Minha Pele” – foram sufocados ou deixados de lado. Em entrevista exclusiva ao iBahia, Lázaro relembrou momentos da carreira em que precisou, de certa forma, se podar para enfrentar as barreiras do preconceito. Além disso, o comunicador revelou detalhes de um novo projeto em que está trabalhando, agora com um tom mais incisivo para abordar a temática racial.


				
					Lázaro Ramos revela estratégia para driblar preconceito: 'Libertação'

Foto: Divulgação

“[Isso aconteceu] constantemente. Nesse livro, [Nossa Pele], inclusive, eu falo de uma linguagem que durante um tempo eu adotei, que chamo de ‘afeto estratégico’. [Que é quando] você está entendendo que tem perigo e você acaba usando uma estratégia. O humor a gente usa muitas vezes para isso, para não falar de algum desconforto da gente”, refletiu o ator.

Ele refletiu ainda sobre os processos de emancipação individual e coletiva da população negra em uma sociedade de estruturas racistas, ponderando que atualmente vive-se uma nova fase nesse processo. “Um dos processos de emancipação e libertação que eu falo nesse livro é justamente isso: encontrar nossa voz e conseguir se colocar para o mundo plenamente, de não ter que ficar se cerceando ou com medo de existir, falar o que está pensando e sentindo”, pontuou o artista.


				
					Lázaro Ramos revela estratégia para driblar preconceito: 'Libertação'

Foto: Divulgação

Além de destacar a rede de apoio, o ator refletiu que atualmente é muito importante buscar construir ambientes que valorizem a pluralidade da negritude. “O livro traz isso e os aprendizados que a gente teve ao longo do tempo. Por muito tempo, a gente precisou se igualar como grupo para conseguir alguma coisa, acho que a gente está numa fase que é muito legal, que é falar: sim, temos objetivos em comum, mas temos direito a individualidade”, destacou Lázaro.

“Ana Maria Gonçalves, a autora de ‘Um defeito de cor’, me ensina uma coisa que também faz parte deste processo de continuidade: […] representatividade importa, é claro que a gente quer celebrar as pessoas que nos representam, mas tem um passo mais portante agora, que é a representação positiva e presença. A gente precisa ter mais de uma pessoa”, enfatizou.

O livro “Nossa Pele” foi lançado em Salvador no último sábado (22), na Livraria LDM Vitória Boulevard, no Centro Histórico da capital. Lázaro esteve no local e realizou uma sessão de autógrafos com os fãs.

Lázaro revela novo projeto no teatro

Ainda durante a entrevista, Lázaro Ramos revelou que, além da experiência não planejada como diretor com o filme “Medida Provisória”, tem buscado se lançar em projetos diferentes. O ator afirmou que busca tratar temas importantes ligados a negritude em diferentes tons e revelou que está produzindo uma peça mais enfática sobre o tema. 

“E cada projeto eu adoto uma linguagem diferente. Eu tenho uma variação de linguagens. […] Eu tenho aceitado os estilos, porque o lado ativista é uma contribuição que a gente dá a sociedade, mas não é minha profissão, que é ser comunicador e artista. […] Tem uma peça de teatro que eu vou dirigir que é assim, outra coisa! Ela está sendo mapeada para trazer outro sabor aí e talvez ela seja mais incisiva”, revelou o diretor. 


				
					Lázaro Ramos revela estratégia para driblar preconceito: 'Libertação'

Foto: Divulgação

“Eu estou tentando variar os estilos. Teve ‘Medida Provisória’, mas meu segundo longa-metragem [Um ano inesquecível – outono] é um filme para jovens. Vendo a gente dar beijo na boca, vendo cheirar o dread, fazer declaração de amor cantando na Avenida Paulista. É um filme que eu gosto muito, que também mostra um outro lugar para falar de amor e afetividade”, pontuou ator.

Lázaro enfatiza processo de cura ao relembrar passado da mãe

Um aspecto novo trazido por Lázaro Ramos no livro “Nossa Pele” são os relatos da vida de sua mãe, Célia Maria do Sacramento, que faleceu quando ele tinha 18 anos. Apesar do peso da história, que resgata a violência sofrida por Célia na casa de patrões, Lázaro destaca que tudo o que foi colocado no livro fala sobre cura.

“As pessoas estão super apegadas a parte da história da minha mãe, que é um pouco mais sofrida. Acho que faz parte desse livro também, mas todas as experiências que eu estou relatando nele são muito para falar sobre cura. É cura que eu estou falando. […] Nele tem o que eu quero oferecer ao leitor: no meio dos desafios, o que nos cura? O que nos liberta? Então, tudo o que tem no livro é para falar de cura”, enfatizou.

Recentemente, Lázaro revelou que comprou a casa onde sua mãe foi agredida e transformou no local em uma ONG para acolher pessoas resgatas de situações de trabalho análogas à escravidão.

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